Atuamos para que os direitos legais das pessoas com TEA e de suas famílias se transformem em REALIDADE.

Quem somos

Presidente: Sandra Aparecida Silva Lima

Coordenação Geral: Maria Cristina B.V. Poeta de Carvalho

Supervisão Administrativa: Sueli Turati

Direção Pedagógica: Camila Góes do A. Pozzato

Coordenação Pedagógica: Tássia Santoro

 

O QUE É TEA?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do desenvolvimento neurológico, caracterizado por uma alteração da comunicação social e pela presença de comportamentos repetitivos e estereotipados.

Para que o diagnóstico de autismo seja estabelecido, deve-se preencher os seguintes critérios:

 

1. Déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação social e nas interações sociais, manifestadas de todas as maneiras seguintes:

a. Déficits expressivos na comunicação não verbal e verbal usadas para interação social;

b. Falta de reciprocidade social;

c. Dificuldade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade apropriados para o estágio de desenvolvimento.

2. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos duas das maneiras abaixo:

a. Comportamentos motores ou verbais estereotipados, ou comportamentos sensoriais incomuns;

b. Excessivo apego a rotinas e padrões ritualizados de comportamento;

c. Interesses restritos, fixos e intensos.

3. Os sintomas devem estar presentes no início da infância, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades.

QUAIS SÃO AS CAUSAS DO TEA?


Acredita-se que a origem do transtorno esteja em anormalidades em alguma parte do cérebro ainda não definida de forma conclusiva e, provavelmente, de origem genética.

Os estudos mais recentes indicam que os genes são uma parte do problema, mas não explicam todas as situações, nem são sempre o único problema. Os fatores do ambiente podem também influenciar o efeito dos genes.

Manifestações mais comuns

Normalmente, o que inicialmente chama a atenção é o fato da criança ser excessivamente calma e sonolenta ou então, chorar sem consolo durante prolongados períodos de tempo. Uma queixa frequente dos pais é que o bebê não gosta do colo ou rejeita o aconchego.

Mais tarde os pais notarão que o bebê não imita, não aponta no sentido de compartilhar sentimentos ou sensações e, não aprende a se comunicar com gestos comumente

observados na maioria dos bebês, como acenar as mãos para cumprimentar ou despedir-se. Geralmente, estas crianças não procuram o contato ocular ou o mantém por um período de tempo muito curto.

É comum o aparecimento de movimentos repetitivos com as mãos ou com o corpo, a fixação do olhar nas próprias mãos por períodos longos e irritabilidade.

Problemas de alimentação também são frequentes, podendo se manifestar pela recusa a se alimentar ou gosto restrito a poucos alimentos. Problemas de sono são comuns.

Considera-se que em 30% dos casos de TEA ocorra epilepsia. O aparecimento de epilepsia é mais comum no começo da vida da criança ou na adolescência.

As manifestações citadas são as mais comuns, mas não são condições necessárias ou suficientes para o diagnóstico do TEA.

INSTRUMENTOS PARA DIAGNOSTICAR O TEA


O diagnóstico do autismo é clínico, feito através de observação direta do comportamento e de uma entrevista com os pais ou responsáveis. Os sintomas costumam estar presentes precocemente, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade.

Os Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) referem-se a um grupo de transtornos caracterizados por um espectro compartilhado de prejuízos qualitativos na interação social, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados (Brentani et al, 2013). A nova edição do DSM trouxe uma nova estrutura de sintomas.

Atualmente o TEA é dividido em níveis e sua severidade é baseada na seguinte tabela:

TIPOS MAIS USUAIS DE INTERVENÇÃO:


• TEACCH – Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped Children (Tratamento e Educação para as Crianças Autistas e com Distúrbios Correlatos da Comunicação);

• PECS – Pictures Exchange Communication System (Sistema de Comunicação Através de Troca de Figuras);

• CFN- Currículo Funcional Natural;

• Sensitory Integration – Integração Sensorial;

• ABA – Applied Behavior Analysis (Análise do Comportamento Aplicada);

• FLOORTIME – (tempo no chão) é um método de tratamento que leva em conta a filosofia de interagir com uma criança com TEA.

Existem outras formas de tratamento, como tratamentos psicoterapêuticos, fonoaudiológico, equoterapia, musicoterapia...

Aconselhamos os pais que optarem por qualquer forma de tratamento a analisarem as próprias expectativas e as do profissional pelo qual optaram e, em que medida o tratamento os aproxima nestas expectativas, não só no momento da escolha, mas, de forma contínua e permanente.

Na AMA-RP, nossa intervenção ocorre em três frentes: educação, saúde e assistência.

Nosso principal objetivo é a realização de intervenções educacionais para adaptação e integração social de pessoas com TEA.

Ainda não existe cura para o TEA, mas, um programa de tratamento precoce, intensivo e apropriado melhora muito a qualidade de vida de pessoas com o transtorno. A maioria dos programas aumentará os interesses das pessoas com autismo utilizando uma programação altamente estruturada de atividades construtivas. Os recursos visuais geralmente são úteis.

A finalidade do tratamento é maximizar as habilidades sociais e comunicativas da pessoa com TEA por meio da redução dos sintomas do transtorno e do suporte ao desenvolvimento e aprendizado.

COMO RECONHECER O TEA:


Alguns instrumentos propõem questões que podem nortear os profissionais em atendimentos para a identificação precoce de características clínicas associadas aos

Transtornos de Espectro Autista (TEA) em crianças entre um e três anos. As questões que seguem foram inspiradas no questionário do desenvolvimento da comunicação, no M-CHAT e nos Sinais Preaut (LAZNIK, 1998).

Elas alertam para a necessidade de se contar com a avaliação de uma equipe multidisciplinar.
É importante que os pais respondam as questões abaixo com base no que é mais comum em relação ao comportamento da criança, ou seja, com base em situações que aconteçam de modo frequente.

Após as perguntas, seguem, entre parênteses, as respostas tipicamente obtidas quando observadas crianças em risco para os TEA.

1. Seu filho tem iniciativa de olhar para seus olhos? (não)

2. Seu filho tenta chamar sua atenção? (não)

3. É muito difícil captar a atenção do seu filho? (sim)

4. Seu filho tenta provocá-lo para ter uma interação com você e lhe divertir? Ele se interessa
e tem prazer numa brincadeira com você? (não)

5. Quando seu bebê se interessa por um objetivo e você o guarda, ele olha para você? (não)

6. Enquanto joga com um brinquedo favorito, ele olha para um brinquedo novo se você o mostra? (não)

7. Seu filho responde pelo seu nome quando você o chama sem que ele veja? (não)

8. O seu filho mostra um objeto olhando para seus olhos? (não)

9. O seu filho se interessa por outras crianças? (não)

10. O seu filho brinca de faz de conta, por exemplo, finge falar ao telefone ou cuida de uma boneca? (não)

11. O seu filho usa algumas vezes seu dedo indicador para apontar, para pedir alguma coisa ou mostrar interesse por algo? Diferente de pegar na mão, como se estivesse usando a mão. (não)

12. Seu filho, quando brinca, demonstra a função usual dos objetos? Ou ao invés disso coloca na boca ou joga-os fora? (não)

13. Seu filho sempre traz objetos até você para mostrar-lhe alguma coisa? (não)

14. O seu filho parece sempre hipersensível ao ruído? Por exemplo, tampa as orelhas. (sim)

15. O seu filho responde com sorriso ao seu rosto ou ao teu sorriso, ou mesmo provoca seu sorriso? (não)

16. O seu filho imita você? Por exemplo, você faz uma careta e seu filho imita? (não)

17. Seu filho olha para as coisas que você está olhando? (não)

18. Alguma vez você já se perguntou se seu filho é surdo? (sim)

19. Será que o seu filho entende o que as pessoas dizem? (não)

20. O seu filho olha o seu rosto para verificar a sua reação quando confrontado com algo estranho? (não)

PREVALÊNCIA:


A Organização Mundial da Saúde estimou, em 2013, uma prevalência de 1:160 indivíduos, número muito superior ao verificado em épocas anteriores Seriam 70 milhões de pessoas com o transtorno no mundo.
A despeito de o fato sugerir que esteja em curso maior prevalência de autismo, o mais provável é que tenha aumentado o reconhecimento da doença pelos pais, professores e médicos. Um dado importante é que o transtorno acomete mais os meninos do que as meninas, na proporção de 4 meninos para 1 menina. Nos EUA, os casos de autismo em crianças de 8 anos de idade cresceram 1 caso a cada 88 crianças, para 1:68 crianças (um aumento de 30%), ou seja uma em cada 68 crianças apresentam o espectro autista (1,47%). Mesmo sendo possível diagnosticar o autismo antes dos 2 anos de idade, a maioria das crianças é diagnosticada após os 3 anos.

Não existem dados consistentes sobre o número de pessoas com autismo no mundo. A maior parte dos estudos é feita em países desenvolvidos. Dessa forma, praticamente inexistem informações a respeito da situação de países em desenvolvimento.

Não foram identificadas estatísticas oficiais sobre o número de brasileiros com autismo. No entanto, em 2010, durante audiência pública no Senado Federal para discussão do tema, o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante estimou que, no Brasil, o número de crianças e adultos, diagnosticados ou não com transtorno de espectro autista, possa chegar a dois milhões. Esta estimativa é aceita por várias instâncias envolvidas com o problema.

Estudo realizado na Espanha demonstra que os serviços primários de saúde não estão preparados para diagnosticar o transtorno e existe um período de dois anos entre as primeiras queixas de sintomas descritos pela família e o diagnóstico. Esta dificuldade na realização do diagnóstico atrasa uma intervenção mais precoce, fator essencial para a melhoria do prognóstico. No Brasil, a dificuldade para o diagnóstico precoce também existe e é o responsável principal para que a maioria das crianças autistas cheguem aos 6 ou 7 anos sem diagnóstico. Por isso a grande importância da qualificação dos serviços de atenção básica do SUS e dos responsáveis por creches e educadores.

Na busca de um diagnóstico adequado e melhores orientações de tratamento estão sendo desenvolvidas muitas pesquisas no mundo e também no Brasil. Destaca-se a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com diversos estudos, inclusive na área da genética. Em 1983 surgia à primeira Associação de Amigos do Autista do Brasil, a AMA. Em 1989, a Associação Brasileira do Autismo (ABRA) promoveu o I Congresso Brasileiro de Autismo.

LEGISLAÇÃO

REFERÊNCIAS


O ingresso de uma pessoa com TEA em escola regular é um direito garantido por lei, como aponta o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que trata sobre a Educação Especial. A redação diz que ela deve visar à efetiva integração do estudante à vida em sociedade. Além da LDB, a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Estatuto da Criança e do Adolescente, Plano Viver sem Limites (Decreto 7.612/11) e a LEI BERENICE PIANA(12.764/12) também asseguram o acesso à escola regular.

Campanha Nacional de Conscientização do Autismo. Câmara dos Deputados, 2015.

Linha de cuidado para atenção às pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde / Ministério da Saúde, secretaria de Atenção da Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.